Clarice Lispector
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Poesia de Bárbara Lia para Clarice Lispector
LENDO CLARICE LISPECTOR
Mulheres
Sofrem meio às rosas
Espinhos escondidos
Em seus cabelos.
Seios nus
Beijados pelo amado.
Lençóis ao vento.
Vela de um barco
Onde o timão balança
Entre a neve
E a primavera.
Todos sofrem:
A gota prata
Do orvalho na rosa
É lágrima fêmea
Que brilha
Enquanto sofre.
Bárbara Lia
O sal das Rosas
Lumme Editor/2007
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Carta cultural aberta à Sra. Acadêmica Ana Luisa Kamisnki, por Ana Felix Garjan
.
Clarice Lispector. Seu nome e sua obra serão imortalizados também, através da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector - espaço cultural em honra à sua vida e à sua obra e em homenagem às personalidades culturais que foram e serão convidadas para serem membros - fundadores desse projeto que foi inaugurado em maio de 2008.
Desejamos que em breve tempo surja a academia presenencial, em tributo ao seu pensamento! Para tanto contaremos com a presença e apoio de escritoras, poetas, pintoras e de acadêmicas que são membros de outras academias brasileiras, e que estarão sendo nomeadas como acadêmicas dessa academia especial.
*Carta cultural aberta à Sra. Acadêmica Ana Luisa Kaminski, escrita e registrada nesse blog literário por Ana Felix Garjan, idealizadora do espaço "Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector".
Brasil - 5 séculos, 10 de agosto de 2010
A Ilustríssima Senhora Ana Luisa Kaminski
M. D. Vice - presidente da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector,
Cordiais Saudações!
Primeiramente expresso aqui meu agradecimento especial pelo seu apoio aos nossos projetos e roteiros metodológicos que desenvolvemos em nome dos Grupos Artforum Brasil Unifuturo, desde outubro de 2008, com sua participação no projeto PAVILLION ARTFORUM, onde suas belas obras de arte estão expostas em nosso perfil no Orkut, no Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta e na Revista Artforum Planetária, onde seu nome foi homenageado pela ARTFORUM UNIFUTURO, em 20 de agosto de 2009, na data de seu aniversário natalício.
Estou me preparando para organizar as sínteses de projetos que são baseados no "Nosso Plano Artforum" 2001 – 2010, e o novo Plano Artforum 2011 - 2016. São estudos, pesquisa e projetos que fazem parte da nossa Universidade Planetária do Futuro, que foi prevista em 2000, na mudança do século XX para o XXI e do fantástico III Milênio! Tenho um projeto chamado "Arte Millennia", que inspirou a nossa proposta literária: Primeira Antologia "Cartas ao Futuro" de Mulheres Contemporâneas, que foi lançada em outubro de 2008, em redes sociais, comunidades organizadas no Orkut, e em blogs dos Grupos Artforum UNIFUTURO XXI que administro deste março de 2007.
Trabalho com referências filosóficas e dados históricos que fazem parte de eixos referenciais que motivam a todos nós da Artforum a motivam darmos continuidade aos roteiros metodológicos que são seguidos desde o ano de 1999 - sec. XX, na perspectiva de contribuirmos, também, com o movimento cultural humanista que possa inspirar mais e mais pessoas a se juntarem a nós para contribuírem com a cultura brasileira e internacional. Desejamos na realidade a reunião de pessoas, que como nós, podem estar sintonizadas com a ética humana, com a arte e cultura de Paz, que como nós possuamos credibilidade, sensibilidade, conhecimento e disponibilidade para intercâmbios e parcerias culturais, em prol da arte e poesia da vida.
Estou envolvida em estudos e diálogos com alguns consultores, inclusive com uma grande amiga que mora na França e conhece meu trabalho há mais de 10 anos. Ela é professora em universidades francesas que possuem interesse em intercâmbio com a cultura brasileira através de universidades e outras organizações. Conversamos na data de ontem sobre nossa universidade. Ela é brasileira e cidadã francesa, pois reside na França há mais de 15 anos. Ela, a Sra. Matilde Pereira da Silva está de férias em Paris, nesse mês. Ela é tradutora de livros, possui grande visão cultural e política, e foi convidada para um cargo na Universidade Planetária do Futuro, e será convidada como membro - fundador da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector!
Em setembro próximo, tempo de primavera, flores e natureza será celebrado os 11 anos dos Grupos Artforum Brasil, através do nosso projeto MAC - Museu de Arte Contemporânea e do Projeto I Bienal Internacional de Artes Visuais. Assim, a partir de hoje estarei com alguns compromissos prioritários, em função da festa de lançamento do livro Antologia de Arte "Cristal de Talentos", de cujo livro nós somos co-autoras. Essa obra foi idealizada pela artista plástica Sra. Adalgisa Marta Machado Cuan.
Esse importante livro de arte será lançado na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na próxima semana, e será também lançamento na ABACH – Academia Brasileira de Artes, Ciências e História, no Pólo Cultural Casa da Fazenda do Morumbi, no próximo dia 15 de agosto de 2010, às 19h30min horas.
Ana Luisa, nós já sabemos que você, a escritora e a artista plástica Lara Lunna /Staëll, entre outros co-autores do livro estarão presentes nessa festa cultural em São Paulo. Na noite haverá também a abertura da exposição de arte "Cristal de Talentos", onde nossas obras que estão no livro serão apresentadas ao grande público, no período de 16 a 29 de agosto de 2010 - último ano da primeira década do século XXI.
Nessa noite de eventos culturais importantes serei representada pelo Professor Arthur Jaak Wilfrid Bosmans, vice-presidente da Universidade Planetária do Futuro. Ele é poeta e personalidade cultural de Belo Horizonte - Minas Gerais, e estará presente como co-autor do livro “Cristal de Talentos”.
Fui indicada para receber a insígnia da Medalha Anita Garibaldi, assim como você, Lara Lunna /Staëll, Jaak Bosmans, Zélle Bittencourt e outras pessoas das artes e da literatura. Pessoas indicadas estarão recebendo essas importantes insígnias, que serão concedidas pelo presidente da FALASP - Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo, o Exmo. Senhor Conde Thiago de Menezes.
Estive em reuniões com amigos pintores e artistas plásticos, para a organização dos projetos Museu de Arte Contemporânea - Arforum Brasil e I Bienal Internacional de Artes Visuais, prevista para 2010 - 2011. Para esses projetos especiais, você e outras convidadas estarão com suas exposições divulgadas através de núcleos e linguagens artísticas.
Serão convidados, a princípio, os nossos convidados que estão no Espaço PAVILLION ARTFORUM. Assim, já contamos com suas obras, as da Lara Lunna Staëll, da Carmem Garrez, da Cristiane Campos, da Luíza Caetano, e outros nomes já convidados desde 2008. E você, Ana Luisa, como uma das curadoras do Departamento de Artes e Exposições da nossa Universidade Planetária do Futuro pode indicar artistas plásticos e pintores para nossos projetos especiais!
Agradeço-lhe a indicação dos atuais nomes da pintora Carmen Garrez, da escritora e poetisa Bárbara Lia e de outros nomes já citados anteriormente através de nossas cartas culturais. Você como vice-presidente da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector pode continuar a fazer seus convites especiais a pessoas que se interessam em participar e contribuir com a academia e posteriormente com o Centro Cultural Clarice Lispector, onde será aberta a Galeria de Arte Clarice Lispector, onde estarão em exposição obras de arte selecionadas por você, por mim, pela diretora de marketing, e outras pessoas convidadas para a curadoria do Centro Cultural Clarice Lispector.
Caríssima Ana Luisa Kaminski eu deixo hoje, nessa página de registros especiais da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector, nossas congratulações pela exposição de suas pinturas e as pinturas de Staëll / Lara Lunna, em mostras na Itália, em breve, levadas pela Galeria Spazio Surreale, de SP.
Nesta academia, nos fóruns e blogs culturais dos Grupos Artforum Brasil Unifuturo nós teremos grande honra em divulgar sua mostra na Itália, onde vocês pintoras brasileiras estarão levando, também, o nome da Artforum Brasil Unifuturo, através do nosso roteiro intitulado "Expedições Culturais e Artísticas".
Cordiais saudações e votos de sucesso!Ana Felix Garjan, Presidente
Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
anafelixgarjan@gmail.com
ARTFORUM UNIFUTURO XXI
Filosofias, História, Cultura. Arte, Futuro
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domingo, 11 de julho de 2010
ARTE E PSICANÁLISE: ENTRE DESMONTAGENS E REARTICULAÇÕES
“Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras.”
(CLARICE LISPECTOR, In: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres).
Não é de hoje que se procura encontrar conexões entre Arte e Psicanálise: já Freud, em seus estudos e escritos, estabeleceu relações entre obra de arte e psicanálise, em se tratando de desmontar e recriar mundos e sentidos. Tania Rivera, no texto “Gesto analítico, ato criador. Duchamp com Lacan”, afirma que “a psicanálise não se debruça sobre a arte como um terreno onde aplicar suas teorias, mas em busca de uma verdade sobre o homem de que as obras literárias e artísticas se aproximariam mais do que a ciência”. A arte, por sua vez, “não procura na psicanálise explicações ou interpretações”, mas talvez uma possa buscar na outra, explorando suas ressonâncias singulares no questionamento contemporâneo sobre o sujeito.(1) Pensando sobre estas conexões, escrevo este texto, no intuito de comparar, aproximar e entrelaçar alguns aspectos destas áreas do conhecimento, tentando apontar para a importância das desmontagens e rearticulações de verdades, signos, idéias e estruturas, propiciadas ao sujeito, pelas práticas da psicanálise e da invenção artística.
No texto “Escritores Criativos e Devaneios” (1908), (2) Freud compreende a obra de arte como substituto do brincar infantil, aproximando o artista ou escritor criativo à criança que, brincando, “cria um mundo próprio reajustando seus elementos de uma forma que lhe agrade, mantendo... uma nítida separação entre seu mundo de fantasia e a realidade”, nos lembra a psicanalista Giovanna Bartucci . No entanto, em “Além do princípio do prazer”, ensaio de Freud de 1920, que termina por estabelecer o conhecido dualismo entre pulsões de vida e pulsões de morte, será essa pulsão de morte, uma vez que não se articula no registro da linguagem, que imporá ao sujeito a necessidade de inscrição no registro da simbolização. A autora observa ainda que, a partir da “necessidade de produzir novos objetos para os circuitos pulsionais, o sujeito realiza rupturas no campo de objetos e símbolos, na visão de mundo constituída, e será exatamente isto que permitirá ao sujeito constituir, construir sua própria realidade de acordo com as leis que eventualmente conheça.” (3)
Esta possibilidade de romper com o óbvio e promover a desestagnação e rearticulação dos sentidos, que tanto acontece na criação artística quanto na prática da psicanálise, parece-me estar relacionada ao que diz Roberto Harari, em Por que Não Há Relação Sexual?, quando aponta a importância de “tentar fazer perceber de modo diferente das associações habituais, mas como algo insólito”, ao discorrer sobre a estranheza e estranhamento, (ostranenie), provocados às vezes pelas obras de arte, e também pelas intervenções analíticas. (4)
Neste livro, Roberto Harari, citando Lacan, lembra que “o intervalo é uma função vigente na direção da cura, de acordo com uma operação regida pela pulsão de morte”. Nesta operação, não se trata de “encher o analisante com novos signos”, diz Harari, mas “sim de confrontar o sem-sentido com a dimensão do vazio”, lembrando que o analista trabalha para promover uma “desconstrução egóica-sígnica”, e afirma ainda que “tanto no discurso literário como no analítico são cruciais os momentos de rareamento, de estranhamento, provocados pela aparição súbita de um significante de efeito inesperado”. (5)
Ainda no livro Por que Não Há Relação Sexual?, Roberto Harari recorre ao conceito de intervalo, e “condição intervalar”, apresentados na obra El Intervalo Perdido, do teórico contemporâneo de arte, o italiano Gillo Dorfles, para falar sobre a importância deste “tempo de separação entre elementos”, e relacionar as idéias de Dorfles à prática da psicanálise. Segundo Dorfles, teria acontecido um desaparecimento dos “intervalos” ou da “condição intervalar”, a partir da modernidade, o que poderia ser relacionado ao “horror vacui” presente em vários âmbitos da cultura e civilização contemporâneas. O italiano Dorfles observa a importância destes “espaços intervalares” em todas as manifestações artísticas e literárias, ao longo da história humana, e de sua ligação com o inacabamento, a fragmentaridade, o silêncio, o estranhamento...(6) Esse aspecto de separação, pausa, interrupção, capaz de fazer ressaltar determinados elementos – não só no terreno artístico – evocado por Dorfles e citado por Harari, ou seja, o conceito de “intervalo”, usado pelo teórico italiano, pode ser relacionado também à prática psicanalítica, onde os “procedimentos intervalares” permitem que o analista introduza diastemas (intervalos) inesperados que convocam à estranheza... “...um golpe do real”, capaz de provocar a “des-localização” do sujeito. Seria esta intervenção algo como um “corte”, através do qual pode emergir um plus, e acontecer alguma transformação.(7)
Giovanna Bartucci , ainda escrevendo sobre as relações entre arte e psicanálise, observa que o jogo de palavras não é mero artifício retórico, mas uma tentativa de recolher, dar forma e instaurar algum sentido para este tempo, que para além (ou aquém) da linguagem, é ele mesmo um tempo necessário, “um tempo que permite a emergência de um sujeito a partir deste corte, desta fenda, deste rombo, desta cratera, desta violência amorosa e necessária” que nós humanos denominamos falta. Assim, diz ela, é que “tanto a experiência psicanalítica, concebida como lugar psíquico de constituição de subjetividade” .... “quanto a arte, encontram na inscrição da pulsão no registro da simbolização e sua reordenação do circuito pulsional uma economia outra que possibilite o trabalho de criação, produção e ligação de sentidos, para “aqueles sujeitos cujos destinos como sujeitos será sempre o de um projeto inacabado, produzindo-se de maneira interminável”.(8)

Penso que podemos aproximar e entrelaçar estas idéias com as de Harari, bem como a noção de “intervalo” usada por Dorfles, a outros conceitos ligados à arte, literatura e psicanálise, uma vez que parecem evocar ou convergir para a “falta”, a “castração” necessária para que o sujeito possa emergir como desejante. A noção de “intervalo” como um “espaço vazio”, de pausa, silêncio, corte, abertura, parece dialogar também com as idéias de Michel Foucault e Maurice Blanchot sobre a linguagem e a arte, quando se trata de pensar neste espaço como o lugar do vazio, da morte, do nonsense, do neutro, do silêncio, da desaparição, mas, também, como possibilitador de movimento, de emergência e rearticulações de verdades e sentidos, de abertura para a reinvenção incessante do sujeito, a partir do encontro impactante com o “real”.
O texto “O pensamento do exterior”, escrito em 1966 por Michel Foucault, aborda o espaço vazio da linguagem, e fala sobre uma “experiência do fora”, que seria a abertura de um espaço neutro, onde a linguagem se escoa sem se configurar e sem nada configurar, oscilando entre o fora da origem e da morte, infinitamente a se repetir, sempre a recomeçar. Lúcia Oliveira Santos, em seu texto “O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte”, tece relações e encontra ressonâncias entre idéias de Blanchot e Foucault, observando que “é neste espaço – o espaço literário onde o sujeito se desfaz, o mundo é suprimido, o ser se dissimula, a obra tende à sua desaparição – que se dá a experiência da linguagem como escritura.” Esta autora lembra que neste texto de Foucault, uma homenagem do mesmo a Blanchot, aparecem estas idéias sobre a linguagem em sua relação com a morte, e a constituição do espaço literário como o “espaço neutro e vazio da linguagem”. (9)
No livro As palavras e as coisas , Foucault lembra que a linguagem moderna não remete nem a Deus nem ao homem, mas ao espaço vazio que é ela própria e, retomando idéias de Blanchot, diz que a literatura se dá como experiência da morte, do pensamento impensável (e na sua presença inacessível), como experiência da finitude...(10) Lúcia Oliveira Santos observa ainda que, tanto para Blanchot quanto para Foucault, a literatura não representa o mundo nem cria nele, mas o faz desaparecer, pois ela só existe a partir desta ausência, do vazio e do rumor que ainda perduram após o homem se dar conta do nada e da morte.(11) E, deste espaço neutro e vazio, onde se afirma a impossibilidade e a ausência de sentido, a desaparição das coisas e daquele que escreve, onde o escrever deixa de se abrigar num horizonte estável para ser tornar atividade de ruína, surge a escritura, a arte, a possibilidade de desmontagens e rearticulações incessantes de sentidos, a partir do encontro com o vazio que permite as reconstruções.
No conto “Amor”, em Laços de Família, de Clarice Lispector (12), como em outros textos clariceanos, podemos encontrar estas “aberturas” para um “espaço vazio”, silencioso e informe, indomesticável, que lembra o espaço neutro abordado por Blanchot. A escritura clariceana abre a brecha por onde vaza esta sensação de plenitude do não-sentido, permitindo a passagem tanto de personagens quanto de leitores para o estranho existente sob a crosta do cotidiano banal. Segundo Nádia B. Gotlib, em Clarice Lispector o exercício da linguagem funciona como exercício de “nomear o não-nomeável, e instrumento de “tocar no ponto que não é tocável(13). E, segundo Benedito Nunes, percebe-se nas obras clariceanas a tentativa de “dizer a coisa sem nome, descortinada no instante do êxtase, e que se entremostra no silêncio intervalar das palavras” : o sentido do real só é atingido quando a linguagem fracassa em dizê-lo.(14)
No conto “Amor”, de Lispector, a protagonista sente-se perturbada e estranha ao estar sozinha em casa, na “hora perigosa da tarde”, quando percebe em si o que chama de “desordem íntima”(15). Sua saída da rotina, quando resolve dar uma volta, acaba provocando uma espécie de ruptura em seu percurso, ou um desvio de sua rota banal, quando uma série de pequenos acontecimentos, aparentemente insignificantes, provocam nela certa perturbação e estranhamento, como o riso e o olhar do cego, que não a vê, o pacote de ovos quebrados, o chacoalhar do bonde, o passeio pelo Jardim Botânico, o encontro com os bichos, o silêncio, o cheiro de vida e de morte... É neste contexto que parece abrir-se uma fenda em seu cotidiano domesticado e banal, e algo aparece, algo inumano, incapturável, ao mesmo tempo assustador e fascinante. E, nestes pequenos desvios de rota, nestes acontecimentos que interrompem a linearidade de seu cotidiano ordenado - nestes intervalos, cortes, aberturas - surgem as sensações conflituosas do ser, entre fascínio e horror, diante do mistério do amor, da vida, da morte e do vazio.

Estas fendas no cotidiano da personagem clariceana fazem pensar nos intervalos, espaços vazios, já mencionados nos textos teóricos de Roberto Harari, e outros citados até aqui. Neste ponto, poderíamos arriscar uma aproximação entre o conceito de “intervalo” trabalhado por Dorfles, o teórico das artes, evocado pelo psicanalista Harari, ao conceito de “espaço vazio e neutro” desenvolvido por Maurice Blanchot, ao referir-se à literatura. Este espaço neutro, este intervalo, também pode ser entendido ou visto como uma abertura, uma “porta de passagem”, para usar palavras do próprio Blanchot, sendo que a mesma possibilitaria o encontro ou vislumbre do vazio, do horror do real. Segundo Blanchot, a linguagem está sempre pronta a passar do “tudo ao nada”, nos lembrando da dissolução. Já a teórica Júlia Kristeva, autora de Sol Negro, depressão e melancolia, afirma que as “construções ficcionais dão testemunho do hiato, branco ou intervalo que é a morte para o inconsciente.”(16) Lacan, por sua vez, no Seminário, livro 7, fala da “Coisa” fundadora do desejo, do vazio no centro do real, da falta comum a todos, de Das Ding, que escapa à significação e é indizível... (17)
No texto Água Viva, Clarice Lispector escreve: “Ouve-me, ouve meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa.”... “Capta esta outra coisa que na verdade falo porque eu mesma não posso. Lê a energia que está no meu silêncio. Ah, tenho medo de Deus e do meu silêncio.”(18) Retomando as noções trazidas até aqui, do intervalo entendido como espaço vazio, neutro, de silêncio e ruptura, de dissolução e morte, abertura, podemos pensar neste eco e oco silencioso das palavras, da escrita, da fala, como o próprio eco do vazio, como um lugar de incerteza onde se desmontam as verdades do eu, do sujeito condicionado em seus comportamentos repetitivos e rígidos. Todavia, é a partir do próprio confronto com o nada, com o vazio, num momento de corte e intervalo, que pode acontecer a desmontagem da repetição, a interrupção da fixidez, tanto através da prática da psicanálise, quanto do fazer artístico.
Segundo Lacan, a arte caracteriza-se por um certo modo de organização em torno do vazio, e tem como combustível esse vazio. Sandra Autuori, em seu texto “LACAN E A ARTE: catando migalhas”, lembra que, antes do que é escrito pelo autor, o que se tem é um papel vazio; do pintor, uma tela em branco, do escultor um nada. Há um nada antes da criação artística. Um nada que incomoda, que pulsa e insiste. Porém, quando a obra acaba, vira um resto, algo que não deu conta de dizer a que veio, e continua sempre faltando algo, o que parece levar o artista a nunca parar de criar, sempre outras obras. De acordo com Lacan, o objeto artístico “é instaurado numa certa relação com a Coisa que é feita simultaneamente para cingir, para presentificar e para ausentificar”. A arte presentifica a ausência, expõe a falta, é o resto exposto que faz restar.(19)

Em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector diz: “Nós, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mistério que não quero desvendar com meu raciocínio que é frio. Tenho que não indagar do mistério para não trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias.” (20) E, em seu livro O Prazer do Texto, Roland Barthes escreve: “Texto quer dizer tecido; mas enquanto até aqui esse tecido foi sempre tomado por um produto, por um véu acabado por trás do qual se conserva, mais ou menos escondido, o sentido (a verdade), nós acentuamos agora, no tecido, a idéia generativa de que o texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo; perdido neste tecido — nessa textura — o sujeito desfaz-se, como uma aranha que se dissolve a si própria nas secreções construtivas de suas teias”. (21)
Sandra Autuori lembra que, para Lacan, o belo é o último véu que nos protege do real. É um ponto de transposição. Porém, mesmo sendo uma última rede de proteção ao real, há uma exposição a ele e, portanto, o belo na arte sustenta o desejo, ao provocar enternecimento. A arte produz um efeito de regozijo em quem a olha. Este é um efeito singular no sujeito, efeito indizível, intraduzível, intransmissível em totalidade e que, por isso mesmo, comporta o furo do real.(22) Contudo, como aponta Xavier G. Ponce, a arte pode ir além do belo, e alcançar o sublime, um termo literário associado ao êxtase e à criação poética. O sublime, além de encantar, como o belo, pode ligar-se ao além do princípio do prazer, quando acontece uma experiência de dilaceração, criando assim um contraponto entre o encanto e o horror provocados pela obra de arte. Ponce descreve o advento da arte moderna como sendo o de instalar uma tensão entre a experiência de satisfação através do belo que encanta e a comoção proporcionada pela experiência do sublime. (23) Vários autores já sublinharam que a arte do século XX e a psicanálise, por terem nascido na mesma época, compartilham um mesmo “espírito”, que dividiu o sujeito definitivamente, porém, Ponce vai além disso ao propor que, com o divórcio entre a imagem e o sentido que ocorre na arte moderna, há uma quebra entre a obra de arte, o artista e o espectador, que é olhado pelo objeto artístico, sem que possa lançar mão de um sentido protetor.
Neste ponto, podemos pensar neste estranhamento provocado pela arte, bem como pelas intervenções psicanalíticas, como algo que provoca uma fratura ou o estilhaçamento do eu, a ruptura que permite a emergência do sujeito do desejo, ao propiciar a saída da fixidez do circuito pulsional, promovendo movimento e circulação do desejo, ao instigar o sujeito a produzir algo que o salve do abismo, sejam novas ligações de significantes, sejam rearticulações de sentido, através do rearranjo de seus pedaços e restos, de elos que possam sustentar sua frágil estrutura psíquica, e seu desejo. Assim, arte e psicanálise estão a serviço desta desmontagem do eu, ao mesmo tempo em que, por meio de seus cortes, abrem brechas, fissuras, pequenas fendas para o encontro do sujeito com o real, com das Ding, com o indizível, promovendo as sacudidelas necessárias à reinvenção constante de si e de suas verdades e percursos.
Na fase final do ensino lacaniano, a arte é entendida como quarto elo, ou seja, como algo que possibilita a amarração entre os outros elos do nó borromeano: o imaginário, o simbólico e o real. No Seminário 23, O Sinthoma, Lacan demonstra a importância de que um quarto laço venha realizar a função de manter o enlace entre os registros, como também delimitar a necessária distinção entre eles. De acordo com Lacan, este quarto elo, a arte, evitaria que o sujeito se perdesse no delírio psicótico, na invasão do imaginário. A partir do estudo da escrita de Joyce, Lacan fica “embaraçado” ao perceber que o escritor trabalhava diretamente no real da letra, a partir de novos sentidos que eram construídos, mesmo não sendo estes muito compartilháveis, e deste trabalho, extraía seu gôzo. (24) Neste caso, Lacan observa que foi a obra, a escrita literária, que funcionou como elo capaz de sustentar a estabilidade psíquica de Joyce, evitando o surto psicótico. Contudo, não apenas a partir da obra, mas do reconhecimento público e da valorização da mesma que lhe adveio, o escritor pôde manter seu equilíbrio psíquico, escrevendo seu nome como sujeito, acredita Lacan. A este quarto elo, Lacan chamou de sinthoma.
A psicanalista Maria Lídia Arraes Alencar, no texto “A escrita de Joyce como suplência da psicose”, diz que “ao tomar o exemplo da obra de Joyce como paradigma, Lacan reconhece no seu trabalho de desmontagem da língua inglesa, um ato de tomar as palavras ao nível de lalangue, de fazer da letra, enquanto lixo, parasito, um rio corrente sonoro, ao deixar-se invadir por sua polifonia, seguir o fluxo indecidível entre o fonema, a palavra e a frase, produzindo um escrito para não ler. Promove, desse modo, um curto-circuito no sentido usual das palavras, usando um tipo especial de equívoco, e, além dos efeitos que causou na literatura, serviu-se de sua arte como suplência à psicose”(25).

A partir da escrita sinthomática de Joyce, que faz Lacan avançar em suas teorias sobre o tratamento das psicoses, formulando novas visões e perspectivas, a arte, neste momento da teoria lacaniana, assume a função de amarrar o simbólico, o imaginário e o real, proporcionando certo arranjo, mesmo que bastante singular, da subjetividade, nos lembra Sandra Autuori. (26) A partir daí, podemos pensar nas relações entre as desmontagens e rearticulações de sentidos ou estruturas propiciadas pela prática da psicanálise e do fazer artístico, ao provocarem o encontro do sujeito com o vazio, mas, também, a partir destes intervalos, sustos, comoções e sobressaltos, passando pelas aberturas ou furos nos encontros com o real, propiciarem as reinvenções do próprio sujeito, possibilitando que, por um lado se mantenha a falta, que é condição para o exercício da subjetividade e, por outro, garantindo uma atribuição de potência ao sujeito, permitindo que ele não se perca nesta falta.
Doris Rinaldi, no texto “Joyce e Lacan: algumas notas sobre escrita e psicanálise”, observa que, com sua arte, Joyce inventa, a partir de pedaços de real que retornam nas epifanias e palavras impostas, uma escrita que faz um nome, enquanto Lacan sustenta no Seminário 23 sua própria invenção – a invenção do real. De acordo com esta autora, nesta fase final do seu ensino, Lacan tenta escrever o próprio sinthoma, marcando a importância de uma maior investigação da escrita (27). Neste ponto, já não importa o produzir sentido, e sim, o efeito de sentido, o saber-fazer com lalangue. Disso tudo, podemos ao menos concluir, provisoriamente, que, apresentando o Sinthoma como uma “escrita de gôzo”, Lacan dá novo estatuto a uma invenção que permite transformar lixo em letra, em luxo, ou transformar restos, traços e fragmentos em uma forma peculiar de prazer, de saber-fazer, a escritura, a arte.
*TEXTO DE ANA LUISA KAMINSKI, apresentado na Jornada Interna da Maiêutica, em Florianópolis, SC, em 10 de julho de 2010
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) RIVERA, Tania. “Gesto analítico, ato criador. Duchamp com Lacan”. In: PULSIONAL Revista de Psicanálise, ano XVIII, no. 184, dez/2005, p. 65
(2) FREUD, Sigmund. “ Escritores Criativos e Devaneios”. In: Obras Completas de Sigmund Freud. Imago Editora, RJ, 1977, VOL. IX
(3) BARTUCCI, Giovanna. “Sublimação e processos de subjetivação: entre a psicanálise e a arte”. Psicanalítica freudiana, escritura borgeana: espaço de constituição de subjetividade. In: Cid, Marcelo; Montoto, Claudio César. Borges Centenário. São Paulo, EDUC, 1999.
(4) HARARI, Roberto. Por Que Não Há Relação Sexual? Organizadores: Carlos A. M. Remor et Al. José Nahar Ed., RJ, 2006, p. 135
(5) IDEM, Ibidem, p. 137.
(6) IDEM, Ibidem, p. 124 e 125.
(7) IDEM, Ibidem, p. 137.
(8) BARTUCCI, Giovanna. “Sublimação e processos de subjetivação: entre a psicanálise e a arte”.
(9) SANTOS, Lúcia de Oliveira. “ O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte : ressonâncias Foucault/Blanchot. Texto apresentado no X CONGRESSO ABRALIC, no RJ, 2006.
(10) FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: MartinsFontes, 1987.
(11) SANTOS, Lúcia de Oliveira. “ O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte : ressonâncias Foucault/Blanchot
(12) LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. RJ: Francisco Alves Editora, 1993
(13) GOTLIB,Nádia Batella. “Um fio de voz: Histórias de Clarice”. In Paixão Segundo GH (edição crítica). Clarice Lispector. Florianópolis, Ed UFSC, 1988,p.161
(14) NUNES, Benedito. Introdução do Coordenador, In Paixão Segundo GH. Clarice Lispector. EdUFSC, 1988, XXVII-XXVIII
(15) LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. RJ: Francisco Alves Editora, 1993
(16) KRISTEVA, Júlia. Sol Negro: depressão e melancolia. RJ, Rocco, 1989, p. 31
(17) LACAN, J. O Seminário, livro 7: a ética da psicanálise, p. 149
(18) LISPECTOR, Clarice. Água Viva. Ed. Círculo do Livro, 1973, p. 33.
(19) AUTORI, Sandra. “LACAN E A ARTE: catando migalhas”.
(20) LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Ed. Rocco, 1998, p. 92.
(21) BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. Ed. Perspectiva,SP, 1977, p.112
(22) LACAN, J. O Seminário, livro 7 , p. 302
(23) PONCE, Xavier Giner. “Sobre parejas modernas: el espectador y la obra del arte”. Site na internet.
(24) LACAN, O Seminário, livro 23, O Sinthoma. Jorge Zahar Ed. Ltda, RJ, 2007(1975). CD ROOM.
(25) ARRAES ALENCAR, Maria Lídia. “A escrita de Joyce e a suplência na psicose”.
(26) AUTUORI, Sandra. “LACAN E A ARTE: catando migalhas”.
(27) RINALDI, Doris. “Joyce e Lacan: algumas notas sobre escrita e psicanálise.”. In: PULSIONAL Revista de Psicanálise.Ano XIX, no 188, DEZ/2006
(CLARICE LISPECTOR, In: Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres).
Não é de hoje que se procura encontrar conexões entre Arte e Psicanálise: já Freud, em seus estudos e escritos, estabeleceu relações entre obra de arte e psicanálise, em se tratando de desmontar e recriar mundos e sentidos. Tania Rivera, no texto “Gesto analítico, ato criador. Duchamp com Lacan”, afirma que “a psicanálise não se debruça sobre a arte como um terreno onde aplicar suas teorias, mas em busca de uma verdade sobre o homem de que as obras literárias e artísticas se aproximariam mais do que a ciência”. A arte, por sua vez, “não procura na psicanálise explicações ou interpretações”, mas talvez uma possa buscar na outra, explorando suas ressonâncias singulares no questionamento contemporâneo sobre o sujeito.(1) Pensando sobre estas conexões, escrevo este texto, no intuito de comparar, aproximar e entrelaçar alguns aspectos destas áreas do conhecimento, tentando apontar para a importância das desmontagens e rearticulações de verdades, signos, idéias e estruturas, propiciadas ao sujeito, pelas práticas da psicanálise e da invenção artística.
No texto “Escritores Criativos e Devaneios” (1908), (2) Freud compreende a obra de arte como substituto do brincar infantil, aproximando o artista ou escritor criativo à criança que, brincando, “cria um mundo próprio reajustando seus elementos de uma forma que lhe agrade, mantendo... uma nítida separação entre seu mundo de fantasia e a realidade”, nos lembra a psicanalista Giovanna Bartucci . No entanto, em “Além do princípio do prazer”, ensaio de Freud de 1920, que termina por estabelecer o conhecido dualismo entre pulsões de vida e pulsões de morte, será essa pulsão de morte, uma vez que não se articula no registro da linguagem, que imporá ao sujeito a necessidade de inscrição no registro da simbolização. A autora observa ainda que, a partir da “necessidade de produzir novos objetos para os circuitos pulsionais, o sujeito realiza rupturas no campo de objetos e símbolos, na visão de mundo constituída, e será exatamente isto que permitirá ao sujeito constituir, construir sua própria realidade de acordo com as leis que eventualmente conheça.” (3)
Esta possibilidade de romper com o óbvio e promover a desestagnação e rearticulação dos sentidos, que tanto acontece na criação artística quanto na prática da psicanálise, parece-me estar relacionada ao que diz Roberto Harari, em Por que Não Há Relação Sexual?, quando aponta a importância de “tentar fazer perceber de modo diferente das associações habituais, mas como algo insólito”, ao discorrer sobre a estranheza e estranhamento, (ostranenie), provocados às vezes pelas obras de arte, e também pelas intervenções analíticas. (4)
Neste livro, Roberto Harari, citando Lacan, lembra que “o intervalo é uma função vigente na direção da cura, de acordo com uma operação regida pela pulsão de morte”. Nesta operação, não se trata de “encher o analisante com novos signos”, diz Harari, mas “sim de confrontar o sem-sentido com a dimensão do vazio”, lembrando que o analista trabalha para promover uma “desconstrução egóica-sígnica”, e afirma ainda que “tanto no discurso literário como no analítico são cruciais os momentos de rareamento, de estranhamento, provocados pela aparição súbita de um significante de efeito inesperado”. (5)
Ainda no livro Por que Não Há Relação Sexual?, Roberto Harari recorre ao conceito de intervalo, e “condição intervalar”, apresentados na obra El Intervalo Perdido, do teórico contemporâneo de arte, o italiano Gillo Dorfles, para falar sobre a importância deste “tempo de separação entre elementos”, e relacionar as idéias de Dorfles à prática da psicanálise. Segundo Dorfles, teria acontecido um desaparecimento dos “intervalos” ou da “condição intervalar”, a partir da modernidade, o que poderia ser relacionado ao “horror vacui” presente em vários âmbitos da cultura e civilização contemporâneas. O italiano Dorfles observa a importância destes “espaços intervalares” em todas as manifestações artísticas e literárias, ao longo da história humana, e de sua ligação com o inacabamento, a fragmentaridade, o silêncio, o estranhamento...(6) Esse aspecto de separação, pausa, interrupção, capaz de fazer ressaltar determinados elementos – não só no terreno artístico – evocado por Dorfles e citado por Harari, ou seja, o conceito de “intervalo”, usado pelo teórico italiano, pode ser relacionado também à prática psicanalítica, onde os “procedimentos intervalares” permitem que o analista introduza diastemas (intervalos) inesperados que convocam à estranheza... “...um golpe do real”, capaz de provocar a “des-localização” do sujeito. Seria esta intervenção algo como um “corte”, através do qual pode emergir um plus, e acontecer alguma transformação.(7)
Giovanna Bartucci , ainda escrevendo sobre as relações entre arte e psicanálise, observa que o jogo de palavras não é mero artifício retórico, mas uma tentativa de recolher, dar forma e instaurar algum sentido para este tempo, que para além (ou aquém) da linguagem, é ele mesmo um tempo necessário, “um tempo que permite a emergência de um sujeito a partir deste corte, desta fenda, deste rombo, desta cratera, desta violência amorosa e necessária” que nós humanos denominamos falta. Assim, diz ela, é que “tanto a experiência psicanalítica, concebida como lugar psíquico de constituição de subjetividade” .... “quanto a arte, encontram na inscrição da pulsão no registro da simbolização e sua reordenação do circuito pulsional uma economia outra que possibilite o trabalho de criação, produção e ligação de sentidos, para “aqueles sujeitos cujos destinos como sujeitos será sempre o de um projeto inacabado, produzindo-se de maneira interminável”.(8)

Penso que podemos aproximar e entrelaçar estas idéias com as de Harari, bem como a noção de “intervalo” usada por Dorfles, a outros conceitos ligados à arte, literatura e psicanálise, uma vez que parecem evocar ou convergir para a “falta”, a “castração” necessária para que o sujeito possa emergir como desejante. A noção de “intervalo” como um “espaço vazio”, de pausa, silêncio, corte, abertura, parece dialogar também com as idéias de Michel Foucault e Maurice Blanchot sobre a linguagem e a arte, quando se trata de pensar neste espaço como o lugar do vazio, da morte, do nonsense, do neutro, do silêncio, da desaparição, mas, também, como possibilitador de movimento, de emergência e rearticulações de verdades e sentidos, de abertura para a reinvenção incessante do sujeito, a partir do encontro impactante com o “real”.
O texto “O pensamento do exterior”, escrito em 1966 por Michel Foucault, aborda o espaço vazio da linguagem, e fala sobre uma “experiência do fora”, que seria a abertura de um espaço neutro, onde a linguagem se escoa sem se configurar e sem nada configurar, oscilando entre o fora da origem e da morte, infinitamente a se repetir, sempre a recomeçar. Lúcia Oliveira Santos, em seu texto “O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte”, tece relações e encontra ressonâncias entre idéias de Blanchot e Foucault, observando que “é neste espaço – o espaço literário onde o sujeito se desfaz, o mundo é suprimido, o ser se dissimula, a obra tende à sua desaparição – que se dá a experiência da linguagem como escritura.” Esta autora lembra que neste texto de Foucault, uma homenagem do mesmo a Blanchot, aparecem estas idéias sobre a linguagem em sua relação com a morte, e a constituição do espaço literário como o “espaço neutro e vazio da linguagem”. (9)
No livro As palavras e as coisas , Foucault lembra que a linguagem moderna não remete nem a Deus nem ao homem, mas ao espaço vazio que é ela própria e, retomando idéias de Blanchot, diz que a literatura se dá como experiência da morte, do pensamento impensável (e na sua presença inacessível), como experiência da finitude...(10) Lúcia Oliveira Santos observa ainda que, tanto para Blanchot quanto para Foucault, a literatura não representa o mundo nem cria nele, mas o faz desaparecer, pois ela só existe a partir desta ausência, do vazio e do rumor que ainda perduram após o homem se dar conta do nada e da morte.(11) E, deste espaço neutro e vazio, onde se afirma a impossibilidade e a ausência de sentido, a desaparição das coisas e daquele que escreve, onde o escrever deixa de se abrigar num horizonte estável para ser tornar atividade de ruína, surge a escritura, a arte, a possibilidade de desmontagens e rearticulações incessantes de sentidos, a partir do encontro com o vazio que permite as reconstruções.
No conto “Amor”, em Laços de Família, de Clarice Lispector (12), como em outros textos clariceanos, podemos encontrar estas “aberturas” para um “espaço vazio”, silencioso e informe, indomesticável, que lembra o espaço neutro abordado por Blanchot. A escritura clariceana abre a brecha por onde vaza esta sensação de plenitude do não-sentido, permitindo a passagem tanto de personagens quanto de leitores para o estranho existente sob a crosta do cotidiano banal. Segundo Nádia B. Gotlib, em Clarice Lispector o exercício da linguagem funciona como exercício de “nomear o não-nomeável, e instrumento de “tocar no ponto que não é tocável(13). E, segundo Benedito Nunes, percebe-se nas obras clariceanas a tentativa de “dizer a coisa sem nome, descortinada no instante do êxtase, e que se entremostra no silêncio intervalar das palavras” : o sentido do real só é atingido quando a linguagem fracassa em dizê-lo.(14)
No conto “Amor”, de Lispector, a protagonista sente-se perturbada e estranha ao estar sozinha em casa, na “hora perigosa da tarde”, quando percebe em si o que chama de “desordem íntima”(15). Sua saída da rotina, quando resolve dar uma volta, acaba provocando uma espécie de ruptura em seu percurso, ou um desvio de sua rota banal, quando uma série de pequenos acontecimentos, aparentemente insignificantes, provocam nela certa perturbação e estranhamento, como o riso e o olhar do cego, que não a vê, o pacote de ovos quebrados, o chacoalhar do bonde, o passeio pelo Jardim Botânico, o encontro com os bichos, o silêncio, o cheiro de vida e de morte... É neste contexto que parece abrir-se uma fenda em seu cotidiano domesticado e banal, e algo aparece, algo inumano, incapturável, ao mesmo tempo assustador e fascinante. E, nestes pequenos desvios de rota, nestes acontecimentos que interrompem a linearidade de seu cotidiano ordenado - nestes intervalos, cortes, aberturas - surgem as sensações conflituosas do ser, entre fascínio e horror, diante do mistério do amor, da vida, da morte e do vazio.
Estas fendas no cotidiano da personagem clariceana fazem pensar nos intervalos, espaços vazios, já mencionados nos textos teóricos de Roberto Harari, e outros citados até aqui. Neste ponto, poderíamos arriscar uma aproximação entre o conceito de “intervalo” trabalhado por Dorfles, o teórico das artes, evocado pelo psicanalista Harari, ao conceito de “espaço vazio e neutro” desenvolvido por Maurice Blanchot, ao referir-se à literatura. Este espaço neutro, este intervalo, também pode ser entendido ou visto como uma abertura, uma “porta de passagem”, para usar palavras do próprio Blanchot, sendo que a mesma possibilitaria o encontro ou vislumbre do vazio, do horror do real. Segundo Blanchot, a linguagem está sempre pronta a passar do “tudo ao nada”, nos lembrando da dissolução. Já a teórica Júlia Kristeva, autora de Sol Negro, depressão e melancolia, afirma que as “construções ficcionais dão testemunho do hiato, branco ou intervalo que é a morte para o inconsciente.”(16) Lacan, por sua vez, no Seminário, livro 7, fala da “Coisa” fundadora do desejo, do vazio no centro do real, da falta comum a todos, de Das Ding, que escapa à significação e é indizível... (17)
No texto Água Viva, Clarice Lispector escreve: “Ouve-me, ouve meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa.”... “Capta esta outra coisa que na verdade falo porque eu mesma não posso. Lê a energia que está no meu silêncio. Ah, tenho medo de Deus e do meu silêncio.”(18) Retomando as noções trazidas até aqui, do intervalo entendido como espaço vazio, neutro, de silêncio e ruptura, de dissolução e morte, abertura, podemos pensar neste eco e oco silencioso das palavras, da escrita, da fala, como o próprio eco do vazio, como um lugar de incerteza onde se desmontam as verdades do eu, do sujeito condicionado em seus comportamentos repetitivos e rígidos. Todavia, é a partir do próprio confronto com o nada, com o vazio, num momento de corte e intervalo, que pode acontecer a desmontagem da repetição, a interrupção da fixidez, tanto através da prática da psicanálise, quanto do fazer artístico.
Segundo Lacan, a arte caracteriza-se por um certo modo de organização em torno do vazio, e tem como combustível esse vazio. Sandra Autuori, em seu texto “LACAN E A ARTE: catando migalhas”, lembra que, antes do que é escrito pelo autor, o que se tem é um papel vazio; do pintor, uma tela em branco, do escultor um nada. Há um nada antes da criação artística. Um nada que incomoda, que pulsa e insiste. Porém, quando a obra acaba, vira um resto, algo que não deu conta de dizer a que veio, e continua sempre faltando algo, o que parece levar o artista a nunca parar de criar, sempre outras obras. De acordo com Lacan, o objeto artístico “é instaurado numa certa relação com a Coisa que é feita simultaneamente para cingir, para presentificar e para ausentificar”. A arte presentifica a ausência, expõe a falta, é o resto exposto que faz restar.(19)

Em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector diz: “Nós, os que escrevemos, temos na palavra humana, escrita ou falada, grande mistério que não quero desvendar com meu raciocínio que é frio. Tenho que não indagar do mistério para não trair o milagre. Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias.” (20) E, em seu livro O Prazer do Texto, Roland Barthes escreve: “Texto quer dizer tecido; mas enquanto até aqui esse tecido foi sempre tomado por um produto, por um véu acabado por trás do qual se conserva, mais ou menos escondido, o sentido (a verdade), nós acentuamos agora, no tecido, a idéia generativa de que o texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo; perdido neste tecido — nessa textura — o sujeito desfaz-se, como uma aranha que se dissolve a si própria nas secreções construtivas de suas teias”. (21)
Sandra Autuori lembra que, para Lacan, o belo é o último véu que nos protege do real. É um ponto de transposição. Porém, mesmo sendo uma última rede de proteção ao real, há uma exposição a ele e, portanto, o belo na arte sustenta o desejo, ao provocar enternecimento. A arte produz um efeito de regozijo em quem a olha. Este é um efeito singular no sujeito, efeito indizível, intraduzível, intransmissível em totalidade e que, por isso mesmo, comporta o furo do real.(22) Contudo, como aponta Xavier G. Ponce, a arte pode ir além do belo, e alcançar o sublime, um termo literário associado ao êxtase e à criação poética. O sublime, além de encantar, como o belo, pode ligar-se ao além do princípio do prazer, quando acontece uma experiência de dilaceração, criando assim um contraponto entre o encanto e o horror provocados pela obra de arte. Ponce descreve o advento da arte moderna como sendo o de instalar uma tensão entre a experiência de satisfação através do belo que encanta e a comoção proporcionada pela experiência do sublime. (23) Vários autores já sublinharam que a arte do século XX e a psicanálise, por terem nascido na mesma época, compartilham um mesmo “espírito”, que dividiu o sujeito definitivamente, porém, Ponce vai além disso ao propor que, com o divórcio entre a imagem e o sentido que ocorre na arte moderna, há uma quebra entre a obra de arte, o artista e o espectador, que é olhado pelo objeto artístico, sem que possa lançar mão de um sentido protetor.
Neste ponto, podemos pensar neste estranhamento provocado pela arte, bem como pelas intervenções psicanalíticas, como algo que provoca uma fratura ou o estilhaçamento do eu, a ruptura que permite a emergência do sujeito do desejo, ao propiciar a saída da fixidez do circuito pulsional, promovendo movimento e circulação do desejo, ao instigar o sujeito a produzir algo que o salve do abismo, sejam novas ligações de significantes, sejam rearticulações de sentido, através do rearranjo de seus pedaços e restos, de elos que possam sustentar sua frágil estrutura psíquica, e seu desejo. Assim, arte e psicanálise estão a serviço desta desmontagem do eu, ao mesmo tempo em que, por meio de seus cortes, abrem brechas, fissuras, pequenas fendas para o encontro do sujeito com o real, com das Ding, com o indizível, promovendo as sacudidelas necessárias à reinvenção constante de si e de suas verdades e percursos.
Na fase final do ensino lacaniano, a arte é entendida como quarto elo, ou seja, como algo que possibilita a amarração entre os outros elos do nó borromeano: o imaginário, o simbólico e o real. No Seminário 23, O Sinthoma, Lacan demonstra a importância de que um quarto laço venha realizar a função de manter o enlace entre os registros, como também delimitar a necessária distinção entre eles. De acordo com Lacan, este quarto elo, a arte, evitaria que o sujeito se perdesse no delírio psicótico, na invasão do imaginário. A partir do estudo da escrita de Joyce, Lacan fica “embaraçado” ao perceber que o escritor trabalhava diretamente no real da letra, a partir de novos sentidos que eram construídos, mesmo não sendo estes muito compartilháveis, e deste trabalho, extraía seu gôzo. (24) Neste caso, Lacan observa que foi a obra, a escrita literária, que funcionou como elo capaz de sustentar a estabilidade psíquica de Joyce, evitando o surto psicótico. Contudo, não apenas a partir da obra, mas do reconhecimento público e da valorização da mesma que lhe adveio, o escritor pôde manter seu equilíbrio psíquico, escrevendo seu nome como sujeito, acredita Lacan. A este quarto elo, Lacan chamou de sinthoma.
A psicanalista Maria Lídia Arraes Alencar, no texto “A escrita de Joyce como suplência da psicose”, diz que “ao tomar o exemplo da obra de Joyce como paradigma, Lacan reconhece no seu trabalho de desmontagem da língua inglesa, um ato de tomar as palavras ao nível de lalangue, de fazer da letra, enquanto lixo, parasito, um rio corrente sonoro, ao deixar-se invadir por sua polifonia, seguir o fluxo indecidível entre o fonema, a palavra e a frase, produzindo um escrito para não ler. Promove, desse modo, um curto-circuito no sentido usual das palavras, usando um tipo especial de equívoco, e, além dos efeitos que causou na literatura, serviu-se de sua arte como suplência à psicose”(25).
A partir da escrita sinthomática de Joyce, que faz Lacan avançar em suas teorias sobre o tratamento das psicoses, formulando novas visões e perspectivas, a arte, neste momento da teoria lacaniana, assume a função de amarrar o simbólico, o imaginário e o real, proporcionando certo arranjo, mesmo que bastante singular, da subjetividade, nos lembra Sandra Autuori. (26) A partir daí, podemos pensar nas relações entre as desmontagens e rearticulações de sentidos ou estruturas propiciadas pela prática da psicanálise e do fazer artístico, ao provocarem o encontro do sujeito com o vazio, mas, também, a partir destes intervalos, sustos, comoções e sobressaltos, passando pelas aberturas ou furos nos encontros com o real, propiciarem as reinvenções do próprio sujeito, possibilitando que, por um lado se mantenha a falta, que é condição para o exercício da subjetividade e, por outro, garantindo uma atribuição de potência ao sujeito, permitindo que ele não se perca nesta falta.
Doris Rinaldi, no texto “Joyce e Lacan: algumas notas sobre escrita e psicanálise”, observa que, com sua arte, Joyce inventa, a partir de pedaços de real que retornam nas epifanias e palavras impostas, uma escrita que faz um nome, enquanto Lacan sustenta no Seminário 23 sua própria invenção – a invenção do real. De acordo com esta autora, nesta fase final do seu ensino, Lacan tenta escrever o próprio sinthoma, marcando a importância de uma maior investigação da escrita (27). Neste ponto, já não importa o produzir sentido, e sim, o efeito de sentido, o saber-fazer com lalangue. Disso tudo, podemos ao menos concluir, provisoriamente, que, apresentando o Sinthoma como uma “escrita de gôzo”, Lacan dá novo estatuto a uma invenção que permite transformar lixo em letra, em luxo, ou transformar restos, traços e fragmentos em uma forma peculiar de prazer, de saber-fazer, a escritura, a arte.
*TEXTO DE ANA LUISA KAMINSKI, apresentado na Jornada Interna da Maiêutica, em Florianópolis, SC, em 10 de julho de 2010
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) RIVERA, Tania. “Gesto analítico, ato criador. Duchamp com Lacan”. In: PULSIONAL Revista de Psicanálise, ano XVIII, no. 184, dez/2005, p. 65
(2) FREUD, Sigmund. “ Escritores Criativos e Devaneios”. In: Obras Completas de Sigmund Freud. Imago Editora, RJ, 1977, VOL. IX
(3) BARTUCCI, Giovanna. “Sublimação e processos de subjetivação: entre a psicanálise e a arte”. Psicanalítica freudiana, escritura borgeana: espaço de constituição de subjetividade. In: Cid, Marcelo; Montoto, Claudio César. Borges Centenário. São Paulo, EDUC, 1999.
(4) HARARI, Roberto. Por Que Não Há Relação Sexual? Organizadores: Carlos A. M. Remor et Al. José Nahar Ed., RJ, 2006, p. 135
(5) IDEM, Ibidem, p. 137.
(6) IDEM, Ibidem, p. 124 e 125.
(7) IDEM, Ibidem, p. 137.
(8) BARTUCCI, Giovanna. “Sublimação e processos de subjetivação: entre a psicanálise e a arte”.
(9) SANTOS, Lúcia de Oliveira. “ O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte : ressonâncias Foucault/Blanchot. Texto apresentado no X CONGRESSO ABRALIC, no RJ, 2006.
(10) FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. São Paulo: MartinsFontes, 1987.
(11) SANTOS, Lúcia de Oliveira. “ O Ser da Linguagem, a Escritura e a Morte : ressonâncias Foucault/Blanchot
(12) LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. RJ: Francisco Alves Editora, 1993
(13) GOTLIB,Nádia Batella. “Um fio de voz: Histórias de Clarice”. In Paixão Segundo GH (edição crítica). Clarice Lispector. Florianópolis, Ed UFSC, 1988,p.161
(14) NUNES, Benedito. Introdução do Coordenador, In Paixão Segundo GH. Clarice Lispector. EdUFSC, 1988, XXVII-XXVIII
(15) LISPECTOR, Clarice. Laços de Família. RJ: Francisco Alves Editora, 1993
(16) KRISTEVA, Júlia. Sol Negro: depressão e melancolia. RJ, Rocco, 1989, p. 31
(17) LACAN, J. O Seminário, livro 7: a ética da psicanálise, p. 149
(18) LISPECTOR, Clarice. Água Viva. Ed. Círculo do Livro, 1973, p. 33.
(19) AUTORI, Sandra. “LACAN E A ARTE: catando migalhas”.
(20) LISPECTOR, Clarice. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Ed. Rocco, 1998, p. 92.
(21) BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. Ed. Perspectiva,SP, 1977, p.112
(22) LACAN, J. O Seminário, livro 7 , p. 302
(23) PONCE, Xavier Giner. “Sobre parejas modernas: el espectador y la obra del arte”. Site na internet.
(24) LACAN, O Seminário, livro 23, O Sinthoma. Jorge Zahar Ed. Ltda, RJ, 2007(1975). CD ROOM.
(25) ARRAES ALENCAR, Maria Lídia. “A escrita de Joyce e a suplência na psicose”.
(26) AUTUORI, Sandra. “LACAN E A ARTE: catando migalhas”.
(27) RINALDI, Doris. “Joyce e Lacan: algumas notas sobre escrita e psicanálise.”. In: PULSIONAL Revista de Psicanálise.Ano XIX, no 188, DEZ/2006
quarta-feira, 31 de março de 2010
Exposição "Arte-Palavras de Clarice Lispector"
Exposição de fotos e pensamentos
de Clarice Lispector
de Clarice Lispector
(fotos e pensamentos pesquisadas na internet)
Hoje, dia 31 de março, é o último dia da programação "Mês Internacional Artforum Mulher Inovatus" e "A Mulher são Muitas", cujos roteiros foram programadas pelo Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta - Ano III, onde foi idealizada a Academia de Artes e Letras "Clarice Lispector",que também está registrando três anos de publicação.
O espaço Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector é uma homenagem dos Grupos Artforum Brasil à sua genialidade filosófica, cultural e literária.
O espaço Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector é uma homenagem dos Grupos Artforum Brasil à sua genialidade filosófica, cultural e literária.

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".
Biografia:
Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro.
Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete.
A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo. Sobre Clarice, escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".

edifício inteiro".
"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja".
Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar.
Clarice Lispector
"O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse".
Clarice Lispector

Dá-me a tua mão
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
Brasil, 31 de março de 2010 - Século XXI
Grupos Artforum Brasil Unifuturo
Coordenação: Ana Felix Garjan
http://www.artforumunifuturobrasil.org/
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia Internacional da Mulher e reinício dos trabalhos da Academia
Academia de Artes e Letras Clarice Lispector
Fotos da escritoras pesquisadas na internet.
Hoje, dia 8 de março de 2010, no Dia Internacional da Mulher, retornamos às atividades de Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lisprctor", em sua homenagem, e para reiniciamos os convites às escritoras, poetisas e artistas plásticas que serão convidadas como membros fundadoras desse projeto importante, cujo objetivo maior é organizar a Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", de forma real.
Nossas homenagens a algumas mulheres, entre tantas, que contribuiram e contribuem com a nossa sociedade planetária, nas diversas áreas do conhecimento como as artes, letras, ciências e demais áreas do conhecimento. Em síntese queremos destacar:
...Mayana Zatz, Marilena Chauí, Nélida Pinõn, Lygia Fagundes Telles, Adélia Prado, Lya Luft, Danuza Leão, Bibi Ferreira, Regina Duarte, Fernanda Montenegro, Tonia Carrero, Ana Botafogo, Márcia Haydée, Vera Fischer, Gal Costa, Maria Bethânia, Cristhiane Torloni, Sônia Braga, Benedita da Silva, Maria Erundina, Carla Camurati, Fafá de Belém, Marina Silva, Daiane dos Santos, e outras...
Uma referência e homenagem à Margareth Mee, pintora inglesa que pesquisou por muitos anos a flora da Amazônia, e deixou no Brasil uma importante e preciosa contribuição ao Brasil. Ela fêz expedições, ao Pico da Neblina, em 1967, às margens do Rio Negro, e pintou a bela natureza amazônica-brasileira. (Em nossa pesquisa, muitos outros nomes estão pautados)
Homenagem à mulheres que foram importantes para a cultura do nosso país, e que fizeram história no panorama cultural brasileiro. Algumas delas aonda estão vivas nessa data.
Brasil, 08 de março de 2010
Ana Felix Garjan, socióloga e pesquisadora em arte.
Grupos Artforum Brasil Unifuturo - 10 anos
Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net/
.
Fórum Cidade Artes do Mundo;
http://forumculturaldomundo.zip.net/
Fotos da escritoras pesquisadas na internet.
Hoje, dia 8 de março de 2010, no Dia Internacional da Mulher, retornamos às atividades de Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lisprctor", em sua homenagem, e para reiniciamos os convites às escritoras, poetisas e artistas plásticas que serão convidadas como membros fundadoras desse projeto importante, cujo objetivo maior é organizar a Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", de forma real.
Nossas homenagens a algumas mulheres, entre tantas, que contribuiram e contribuem com a nossa sociedade planetária, nas diversas áreas do conhecimento como as artes, letras, ciências e demais áreas do conhecimento. Em síntese queremos destacar:
...Mayana Zatz, Marilena Chauí, Nélida Pinõn, Lygia Fagundes Telles, Adélia Prado, Lya Luft, Danuza Leão, Bibi Ferreira, Regina Duarte, Fernanda Montenegro, Tonia Carrero, Ana Botafogo, Márcia Haydée, Vera Fischer, Gal Costa, Maria Bethânia, Cristhiane Torloni, Sônia Braga, Benedita da Silva, Maria Erundina, Carla Camurati, Fafá de Belém, Marina Silva, Daiane dos Santos, e outras...
Uma referência e homenagem à Margareth Mee, pintora inglesa que pesquisou por muitos anos a flora da Amazônia, e deixou no Brasil uma importante e preciosa contribuição ao Brasil. Ela fêz expedições, ao Pico da Neblina, em 1967, às margens do Rio Negro, e pintou a bela natureza amazônica-brasileira. (Em nossa pesquisa, muitos outros nomes estão pautados)
Homenagem à mulheres que foram importantes para a cultura do nosso país, e que fizeram história no panorama cultural brasileiro. Algumas delas aonda estão vivas nessa data.
Homenagem especial
Bertha Lutz, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Maria Clara achado, Maria Della Costa, Lygia Clark, Lina Bardi, Maria Tereza Goulart, Maria Esther Bueno, Dercy Gonçalves, Rachel de Queiroz, Martha Rocha, Elis Regina, Carolina Maria de Jesus, Irmã Dulce, Cora Coralina, Nise da Silveira, Eva Nill. (Em nossa pesquisa, muitos outros nomes estão pautados e serão divulgados na pesquisa de Ana Felix Garjan).
Algumas datas e dados importantes sobre "Mulheres brasileiras do século XX":
Em 1914 - A jovem Eugênia Moreira se torna, aos dezesseis anos, a primeira repórter do Brasil;
Em 1917 - Anita Malfati expõe em uma mostra que antecedeu a "Semana de Arte Moderna", em 1922;
Em 1917 - A professora feminista Leolinda Daltro lidera uma passeata a favor do direito ao voto pelas pelo ao voto, pelas mulheres brasileiras;
Em 1918 - Maria José de Castro Rabelo Mendes é a primeira Diplomata do Brasil;
Em 1918 - A bióloga Bertha Lutz publica em Revista, uma carta em que divulga a organização de uma associação de mulheres pela independência e pelo voto feminino;
Em 1919 - É construído um busto em homenagem a Clarice Índio do Brasil, que morreu vítima de violência urbana, no Rio de Janeiro;
Em 1919 - A ativista Elvira Boni Lacerda lidera a greve das costureiras no Rio;
Em 1922 - A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino do país é fundada e realiza o I Congresso Internacional Feminista, no Rio de Janeiro;
Em 1927 - Celina Guimarães Viana se torna a primeira eleitora, no Rio Grande do Norte;
Em 1933 - Almerinda Farias Gama é a primeira mulher a votar na eleição dos representantes classistas para a Assembléia Nacional Constituinte;
Em 1938 - Maria Bonita, a mulher de Lampião, morre em confronto com a polícia;
Em 1944 - Um grupo de enfermeiras segue para Nápoles na Segunda Guerra Mundial;
Em 1947 - Elisa Branco, ativista da Federação de Mulheres, é presa por causa de sua atuação nas campanhas contra a carestia da época;
Em 1950 - A operária e militante Angelina Gonçalves é morta a tiros pela polícia durante manifestação da Campanha O Petróleo É Nosso, no dia 1º de maio;
Em 1950 - É fundada a Associação Brasileira de Mulheres Médicas;
Em 2000 - Tem início, no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), o Centro de Estudos do Genoma Humano, coordenado pela geneticista Mayana Zatz.
Brasil, 08 de março de 2010
Ana Felix Garjan, socióloga e pesquisadora em arte.
Grupos Artforum Brasil Unifuturo - 10 anos
Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net/
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Fórum Cidade Artes do Mundo;
http://forumculturaldomundo.zip.net/
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O tempo conta. O tempo encanta.
O tempo conta, a vida passa e a arte nos aproxima.
A Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector" retorna em fevereiro de 2010, para dar continuidade aos seus roteiros, matérias e pesquisas sobre a obra de Clarice Lispector, e para apresentar novas poetas, escritoras e artistas plásticas convidadas para fazeram parte do quadro de fundadoras da Academia em homenagem à Clarice Lispector, através de matérias, textos, poemas e exposições de arte nesse espaço que promove, também, homenagens às sócias-fundadoras convidadas por sua coordenação.
Em março de 2010, o nosso Projeto Academia Clarice Lispector completará três anos, nesse último ano da primeira década do século XXI. Nosso objetivo atual é a organização do quadro de sócias - fundadoras, através deste blog, para que nosso projeto Associação Cultural "Academia de Letras, Artes e Ciências Clarice Lispector", possa se tornar uma realidade. Que a sede da Academia possa ser no Rio, em São Paulo ou em outra cidade onde possamos ter o apoio de universidades, secretarias de cultura, institutos de psicologia, filosofia e outras organizações de arte, poesia, literatura e ciências humanas.
Brasil, 03 de fevereiro de 2010
Ana Felix Garjan
Coordenadora do Projeto Academia
Visite a Academia Majestade Arte-Poesia do Mundo
http://academiamajestadeartepoesiadomundo.blogspot.com/
A Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector" retorna em fevereiro de 2010, para dar continuidade aos seus roteiros, matérias e pesquisas sobre a obra de Clarice Lispector, e para apresentar novas poetas, escritoras e artistas plásticas convidadas para fazeram parte do quadro de fundadoras da Academia em homenagem à Clarice Lispector, através de matérias, textos, poemas e exposições de arte nesse espaço que promove, também, homenagens às sócias-fundadoras convidadas por sua coordenação.
Em março de 2010, o nosso Projeto Academia Clarice Lispector completará três anos, nesse último ano da primeira década do século XXI. Nosso objetivo atual é a organização do quadro de sócias - fundadoras, através deste blog, para que nosso projeto Associação Cultural "Academia de Letras, Artes e Ciências Clarice Lispector", possa se tornar uma realidade. Que a sede da Academia possa ser no Rio, em São Paulo ou em outra cidade onde possamos ter o apoio de universidades, secretarias de cultura, institutos de psicologia, filosofia e outras organizações de arte, poesia, literatura e ciências humanas.
Brasil, 03 de fevereiro de 2010
Ana Felix Garjan
Coordenadora do Projeto Academia
Visite a Academia Majestade Arte-Poesia do Mundo
http://academiamajestadeartepoesiadomundo.blogspot.com/
domingo, 8 de março de 2009
Dia Internacional da Mulher 2009

"Urutu"
Homenagem à arte-memória de Tarcila do Amaral
No blog do Fórum Internacional de Mulheres do Futuro celebramos o Dia Internacional da Mulher com matérias importantes! Foi no Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta que nasceu o projeto Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector!
Fórum:
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net
Mundo, 8 de março de 2009
Coordenação Cultural
Grupos Artforum Mundi & Artforum Brasil XXI
http://www.artforumunifuturobrasil.org
Dia Interncional da Mulher 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Mês Internacional da Mulher 2009
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Quadro "O Que Vemos, O Que Nos Olha".
Pintura de Ana Luisa Kaminski

Violoncelista Alizarin, pintura de Ana Luisa Kaminski
inspirada no desenho de Lara Lunna.
A Academiade Artes e Poéticas conta com a participação da Professora Ana Luisa Kaminski, aqui na Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", e no "Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta", através de suas pinturas e seu trabalho analítico sobre a obra de Clarice Lispector, que se encontra aqui nas páginas da Academia, desde o ano passado de 2008.
Futurist Time Editorial 2009
A Mulher são Muitas
"Águas, cores, brisas, arte e poéticas de março"
- Mulheres, seus mundos, culturas, artes e universos".
Nossas homenagens a todas as mulheres do mundo, de todas as etnias, de todas as classes sociais, de todas as culturas, de todas as artes, de todas as expressões éticas e inteligentes, que juntas aos homens têm trabalhado por uma sociedade mais justa, em defesa dos Direitos Humanos, da Paz Social, defesa da Natureza, da Educação, defesa do Planeta, da Arte, Cultura e Ecologia Humana para o Mundo Melhor, na pesrpectiva do Hoje e do Futuro!
Qual é o perfil da mulher contemporânea nesse dim de primeira décda do Século XXI? Qual será o perfil da mulher do futuro? Qual o pensamento contemporâneo da mulher no mundo globalizado? Nós mulheres, temos desenvolvido potencialidades com nosso foco no presente e no futuro?
"A Mulher são Muitas"! As mulheres das diversas culturas do mundo têm conquistado muitos espaços na nossa sociedade contemporânea. Elas têm feito a diferença no mercado de trabalho, na conquista de novos conhecimentos, no aprendizado tecnologias e ferramentas, para a gestão do seu mundo, de sua felicidade, de seu universo.
Mas... Qual tem sido a leitura de mundo e a contribuição da mulher contemporânea à sociedade, diante dos problemas eco-sócio-econômicos que enfrenta o mundo político? Como superar as crises sociais, que estão ao nosso redor, nas metrópoles e grandes cidades do Brasil e do Mundo? Como poderemos contribuir mais para a construção dos caminhos rumo à Paz e ao "Mundo Melhor"?
A mulher contemporânea brasileira, ao longo do tempo, tem enfrentado dificuldades sociais, mas tem conseguido conquistar seu mundo e o seu universo. ... Mas como será o futuro próximo, diante das crises do mundo em conflito e recessão? Enfim, como a mulher tem superado seus limites em busca da realização dos seus sonhos e de sua felicidade? Acreditamos que a Arte, Cultura, a Literatura, os Projetos Humanistas e a Gestão do Futuro, têm sido os caminhos escolhidos pela Mulher Contemporânea de determinadas classes sociais. Desejamos que novas poéticas, novas estilísticas e uma nova literatura sejam caminhos para a evolução da mulher no mundo, para que possa contribuir com os grandes temas da humanidade.
Presumimos que a partir deste ano de 2009, neste final da primeira década do século XXI, a mulher deverá ampliar ainda mais suas conexões interiores, e descobrir qual o DNA da sua felicidade no mundo das contradições entre o amor, os sonhos e conquistas, mas sem perder de vista as Questões Sociais ao seu redor.
Escrevamos novas mensagens e cartas ao futuro, através das poéticas e estilísticas resultantes do nosso universo interior, para que o mundo se renove! Acreditamos no Mundo Melhor, temos esperança no Futuro. E estamos aqui, nós participantes deste espaço - "Fórum Internacional da Mulher do Futuro pela Paz do Planeta", para fazermos a nossa melhor parte, como mulheres inteligentes que têm acesso ao conhecimento, e que produzimos arte e cultura para o MUNDO MELHOR, sempre na perspectiva da nossa contribuição para as grandes e significativas mudanças, que nós mulheres juntamente em parceria com os homens, e parte de determinados setores da sociedade brasielira podemos desenvolver, ampliar, inovar, para que todos nós possamos ser "passageiras do amanhã", e os "novos precursoras do futuro"!
O "Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta" já tem trajetória, e aqui em suas páginas, onde estão registradas temáticas importantes da cultura, pensamento e arte para a Paz da Humanidade. Sejamos cada vez mais as pessoas que fazem a diferença, porque estão na busca de suas potencialidades humanas como seres em evolução.
Mundo, 01 de março de 2009 - XXI
Coordenação dos Grupos Artforum Brasil XXI
*Grupos Artforum Mundi Planet & Artforum Brasil XXI
-Programa Universidade Aberta do Futuro "Telhados do Mundo"
*PROJETOS LÍTERO - POÉTICOS - ARTFORUM BRASIL XXI:
*1ª ANTOLOGIA "CARTAS AO FUTURO" de Mulheres Contemporâneas:
http://www.lamaisondart-anagarjan.com.br/cf01.htm
Blog do Projeto: http://antologiacartasaofuturo.blogspot.com/
*ANTOLOGIA "POEMAS PARA A PAZ MUNDIAL":
http://poemaspelapazmundial.blogspot.com/
*FÓRUM CIDADE ARTES DO MUNDO:
http://forumculturaldomundo.zip.net/
*ACADEMIA CORA CORALINA
http://www.artforumunifuturobrasil.org/47448/index.html
*POETAS E ARTISTAS DO MUNDO:
http://poetaseartistasdomundo.arteblog.com.br
*Manifesto Verde pela Paz da Humanidade
http://www.cidadeartesdomundo.com.br/MV.html
*"CIDADE DAS ARTES":
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=5812698293404094476
*"MUNDO DAS ARTES":
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=9292160749702741951
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Águas de Março - Arte & Poesia 2009

EM MARÇO 2009:
ANO I DO FÓRUM INTERNACIONAL DE MULHERES DO FUTURO PELA PAZ DO PLANETA.
No mês de março de 2009 estaremos registrando o ANO I do "Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta", onde nasceu o Projeto Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector". Por sua vez, o Fórum Internacional de Mulheres do Futuro nasceu como projeto da SOCIEDADE MULHERES DO FUTURO, organizada por Poetisas, Escritoras, Artistas Plásticas e Produtoras Culturais, dos Grupos Artforum Mundi, desde outubro de 2007. Em março de 2007 foi aberta a página "ACADEMIA CULTURAL "CORA CORALINA", em março de 2008, em março de 2008 foi aberto o blog "Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta", e pretende-se que em março de 2009 os projetos das Antologias estejam em processo de divulgação, iniciado em out/2008.
Assim, este Blog da Academia e o Blog do Fórum Internacional de Mulheres, resultam de projetos idealizados nos Grupos Artforum Renasissance Vie Universelle, Artforum Mundi Planet e Artforum Brasil XXI, que apresentam projetos do Programa ARTFORUM UNIFUTURO -Universidade Aberta do Futuro "Telhados do Mundo" - UNIFUTURO -10 anos.
Mundo, 23 de fevereiro de 2009
Ana Felix Garjan
Coordenadora Conteúdos e Projetos
Fórum Internacional de Mulheres do FUTURO:
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net
Grupos Artforum & Programa UNIFUTURO
CIDADE ARTES DO MUNDO / GRUPOS ARTFORUM MUNDI
http://www.cidadeartesdomundo.com.br
ARTFORUM MUNDI - ARTFORUM BRASIL XXI:
www.artforumunifuturobrasil.org
.
ACADEMIA CULTURAL "CORA CORALINA"
http://
MANIFESTO VERDE PELA PAZ DDA HUMANIDADE E DO PLANETA:
http://www.cidadeartesdomundo.com.br/MV.html
.............................................
Antologia "Cartas ao Futuro"





O Projeto Primeira Antologia "Cartas ao Futuro" de Mulheres Contemporâneas, faz parte dos projetos do Fórum Internacional de Mulheres do Futuro Pela Paz do Planeta, da Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector e Academia "Cora Coralina"(2007).
Um dos objetivos dos Grupos Artforum Mundi e ARTFORUM Brasil XXI que coordenam projetos de arte, poesia, literatura e cultura brasilreira, é que sejam criadas sedes em diversas capitais brasileiras do Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta, da Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector" e da Academia "Cora Coralina", a princípio nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
Mundo, 23 de fevereiro, de 2009.
Ana Felix Garjan
Coordenação Cultural e de Conteúdos
-Fórum Internacional de Mulheres pela Paz do Planeta
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net/
sábado, 20 de dezembro de 2008
Lançamento e Expô "Tibet no coração do Himalaia"


Convite para o Lançamento do Livro e Exposição
de Fotografias "Tibet no Coração do Himalaia", da
escritora, artista plástica e fotógrafa paulistana
Cláudia Proushan.
Lançamento e Exposição:
Dia
20/12/2008, em São Paulo - SP
Horário
das 11 às 14 horas.
Local
Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim
Avenida Magalhães de Castro, 12.000
Pista Local da Marginal Pinheiros,
entre as pontes Jardim e Morumbi.
(Tel) (11) 3755 5811
=
Brasil, 20 de dezembro de 2008 - sec. XXI
Divulgam esse convite:
Grupos Artforum Mundi Planet & Artforum Brasil XXI
La Maison D'Art - Ana Felix Garjan
=
www.artforumunifuturobrasil.org
.
www.cidadeartesdomundo.com.br
.
www.lamaisondart-anagarjan.com.br
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Homenagem à poetisa Elza Fraga

Nossa homenagem à Poetisa Elza Fraga,
do Rio de Janeiro, que passa a integrar
a Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
ODE AO UNIVERSO
(Elza Fraga)
Ave
que te quero Terra
florida
sem dores,
sem fome,
sem guerra.
Ave
que te quero Mar
A abraçar
os continentes
levando imponente
a passear
barcaças
nas suas correntes.
Ave
que te quero Ar
puro néctar
incolor a aspirar
e inspirar
pulmão e coração
de um mundo
mais decente.
Ave
que te quero Vida
vivida
para sempre plena
em cada canto
do universo,
armada,
defendida,
blindada
de versos!
TEMPO ESCORRIDO
(Elza Fraga)
O tempo galopa e foge
A vida nem tem sentido
Quando penso que está vindo
O chegar já está partindo.
O dia que vou vivendo
É passado num minuto
O futuro que viria
Invade o dia presente
E o que é
Já era
Quebra a rima
Pula o muro
E se vai, escapa, corre...
Foge vira lembrança
Eta vida que me escapa
E rouba a minha criança
E deixa em seu lugar
Esta mulher de olhar vago
Que nem mesma sei se existe
Perdidamente escondida
---------------------------
Escolhida pra ser triste
TEMPO PERDIDO
(Elza Fraga)
Partiu a menina
Ficou a moleca esquisita
Que nem quer ser mulher
Por medo
Se pudesse
Fincava o pé no caminho
E ficava parada
No meio do nada
Espectadora calada
A espreitar
A esperar
O momento
Certo
De capturar o tempo!
ORAÇÃO PARA ADORMECER
(Elza Fraga)
Todas as noites
antes de dormir
eu peço a Deus:
Senhor me dê sabedoria,
cara sem ruga,
vida sem memória,
livro sem história,
filho sem problema
casa toda limpa
com cheiro de alfazema.
Senhor,
me dê uma varinha de condão
pra consertar o que está
escrito no seu livro
a meu respeito
principalmente aquela parte
onde diz ‘vai doer’.
Senhor, se não puder
por tão grande ser a lista
me dê apenas olho
pra chorar
até secar a alma...
talvez isso baste
traga a calma
após o temporal
e eu adormeça em paz,
dia após dia,
noite após noite,
até o fim dos tempos.
Amém!
VIDA
(Elza Fraga)
Pobre, suja, desonrada,
pelos becos violada
por homens que nem tem rosto.
A dor, o ultraje, o desgosto
se transformam em semente.
Barriga cresce, aparece,
empina, torce, contorce
e espirra mais um ente
pra esta peste de vida...
Chega mais um pra desdita
enquanto o beco anoitece.
Demente canta cantigas
de lembranças esquecidas.
E chora ao tempo que ora
pedindo pra que esteja morto
o seu pobre anjo torto...
Mas os santos, adormecidos,
não ouvem o seu pedido
e então entre detritos
o vagido vira grito
urgência, fome de vida!
Tenta calar com um peito
seco, murcho e inútil veio.
E se consola a bendita
é só mais um nesta lida
com a tarefa maldita
de disputar com os ratos
espaço, teto e comida...
POEMA NOS OLHOS
(Elza Fraga)
Eu tive um poema nos olhos...
Espreitou-me a madrugada inteira.
Se delineou, se enfeitou, me envolveu...
As pressas se rompeu
-torto, não se escreveu!
Eu tive um poema nos olhos...
Absorto, calmo, contemplativo.
Me estreitou
-apertado
como abraço de amigo.
Deitou-se a cama comigo,
comigo adormeceu,
se esparramou, se perdeu,
mas teimoso
ainda assim não se escreveu!
Eu tive um poema nos olhos
que preferiu morar mudo
no fundo dos olhos secos
com pena do mundo!
RUMO AO NADA
(Elza Fraga)
Respiro a escuridão!
Sorvo dela cada gole
trazido pelo vento.
Olho pra frente
e só vejo
o intransponível muro,
parede imensa
feita de escuro.
Não há mais tempo.
Não há mais sorte.
Não há mais nada
nem mesmo morte!
Perdi - à toa -
a chave do futuro!
Não há mais uma condução
um trem, um bonde, um avião
que me transporte
só esta corrente negra
que me arrasta
quando passa
pro nunca mais.
Estaco exangue!
E ainda assim
não há uma só gota
de ódio
no meu sangue.
TERMINAL
(elza Fraga)
A tristeza
hoje,
impertinente,
me fatiou a alma
para sempre
APRESSAMENTO
(Elza Fraga)
Escondo no fio
da navalha
o frio
que a alma cala...
Medo
de desvendar
o segredo
da morte
Ou
Quiçá apressar
a nefanda
tenho fobia
a fila
que não anda
ECONÔMICA
(Elza Fraga)
Sou de palavra pouca
Falo com o olho,
economizo boca.
RELAXA
Para com isso moça
a vida é poça
que se pula
e num segundo
acaba o mundo!
.....................
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Fotos de Clarice Lispector





Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum. É uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou, por assim dizer, vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo, pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que, que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.
Clarice Lispector
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Clarice por Clarice
Pedro Karp Vasquez
Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.
A descoberta do amor
“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”
Temperamento impulsivo
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.
Ideal de vida
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”
Escritora, sim; intelectual, não
“Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.
[...] Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?
O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”
A síntese perfeita
“Sou tão misteriosa que não me entendo.”
A certeza do divino
“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”
Viver e escrever
“Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.
O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”
“Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.
A importância da maternidade
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
Viver plenamente
“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”
Um vislumbre do fim
“Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”
Textos extraídos do livro Aprendendo a viver, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004.
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Conhecimento e Futuro
Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector"
Planeta, maio de 2008 -Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector" - "Um espaço não vazio"....
A Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", é especial homenagem à escritora Clarice Lispector, nascida em 1920 e falecida em 1977. A literatura brasileira começou a viver uma revolução chamada Clarice Lispector, em sua época. Uma revolução que começou com o seu romance "Perto do Coração Selvagem", e que até hoje respira a alma de Clarice, que por sua vez inspira milhares de pessoas.
Estamos a exatos 12 anos do centenário de nascimento de Clarice e sua poética literária, que continua considerada como única em seu tempo (começo do século XX, quando com apenas 20 anos já manifestava suas posições e militância intelectual a favor da liberdade, dos direitos humanos, e contra a sociedade machista da época.
A obra literária de Clarice Lispector continua inspirando os estudos e teses sobre a alma humana, pois ela escrevia o que sentia, numa literatura existencial, numa prosa poética e urbana cheia de sentimentos intensos.
Clarice nasceu em plena fuga, na Ucrânia. Seus pais eram judeus e fugiam da perseguição religiosa da Rússia. Ela chegou com seus pais ao Brasil aos dois anos. Naturalizou-se brasileira e, com sua inquietude e angústia, transformou a literatura nacional para sempre.
A Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", é especial homenagem à escritora Clarice Lispector, nascida em 1920 e falecida em 1977. A literatura brasileira começou a viver uma revolução chamada Clarice Lispector, em sua época. Uma revolução que começou com o seu romance "Perto do Coração Selvagem", e que até hoje respira a alma de Clarice, que por sua vez inspira milhares de pessoas.
Estamos a exatos 12 anos do centenário de nascimento de Clarice e sua poética literária, que continua considerada como única em seu tempo (começo do século XX, quando com apenas 20 anos já manifestava suas posições e militância intelectual a favor da liberdade, dos direitos humanos, e contra a sociedade machista da época.
A obra literária de Clarice Lispector continua inspirando os estudos e teses sobre a alma humana, pois ela escrevia o que sentia, numa literatura existencial, numa prosa poética e urbana cheia de sentimentos intensos.
Clarice nasceu em plena fuga, na Ucrânia. Seus pais eram judeus e fugiam da perseguição religiosa da Rússia. Ela chegou com seus pais ao Brasil aos dois anos. Naturalizou-se brasileira e, com sua inquietude e angústia, transformou a literatura nacional para sempre.
Brasil, maio, 2008
Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
Nossos sites e fóruns:
http://www.artforumunifuturobrasil.org/
http://www.cidadeartesdomundo.com.br/
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net
http://forumculturaldomundo.zip.net
http://lamaisondart-anagarjan.com.br
http://poetaseartistasdomundo.arteblog.com.br/
http://projetoartforumuniversidade.blogspot.com
Arte e Cultura são pólos de Desenvolvimento.
Grupos Artforum Brasil Unifuturo - 2009.
Nossos sites e fóruns:
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Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
Este espaço é a Primeira Academia Virtual em homenagem à pensadora, escritora e poeta que muito contribuiu com a história da literatura brasileira. Este espaço foi iniciado em maio de 2008, para homenagear a memória da escritora Clarice Lispector, bem como de outros autores e metres da literatura brasileira e internacional. Este espaço cultural, poético e literário foi aberto em maio de 2008, como proposta apresentada no Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta.
Brasil, maio de 2008
Grupos ArtForum Brasil XXI
Projeto Universidade Planetária do Futuro
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"Vamos Salvar A terra"
Vídeo by Ana Garjan & Luuh Designer
http://br.youtube.com/watch?v=lxAAWGKJpFU
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