Clarice Lispector

Clarice Lispector

Seguidores

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Homenagem à Poetisa Lúcia Gönczy



.



Na Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector",
nossa homenagem à poetisa Lúcia Gönczy, uma filósofa
da vida, uma poetisa das palavras da alma.




Pro
Funda
Mente
minhas lentes
capturam
tua
imagem

Relutante vens a mim
neste vácuo
contorno metalizado
pós moderno
em olhares surreais

E é como de fora
meus olhos te puxassem
e tuas cores transpusessem
o universo da
paisagem

Quero-te pleno
todo ótica
Quero-te dentro
da utopia e do
desejo
Quero-te rio
límpido
pedra
limo

Quero-te sol
Quero-te lua
Quero-te chuva e
acima de tudo
Quero-te Livre
de todas as maneiras
que a natureza
me conceder


Lúcia Gönczy




Tudo que sinto vem do coração, tudo
numa velocidade como se fosse luz e sai
simplesmente sai pela boca
pelos dedos...
pelas letras...
sinto o que você diz porque sinto o
que você sente
e é quase mais bonito do que ouvir
a sonoridade estupenda do silêncio
intrínseca nas palavras


Lúcia Gönczy




ninguém é totalmente cheio
nem totalmente vazio
cada um é um saquinho
vazio de ar
cheio de projeções
vazio de palavra
cheio de intenções
vazio de som
cheio de silêncios
vazio de promessa
cheio de sonhos
vazio des-vario
cheio de razões
lacunas
frestas
entrelinhas
reticências
tudo cheio
tudo vazio
tudo cheio de vazio




Lúcia Gönczy



motivos não necessitam de motivos
explicações desnecessárias
frente verdades explícitas
escritas no silêncio
gritante
das palavras

noites continuam insones
dias intactos
rotinas solicitam rápidas
mudanças
onde trégua e tempo não existem

e no girar constante redemoinho
a paz perde-se em qualquer beco
escuro
o antes obsoleto torna-se
essencial como ar
de certezas reviradas

nada mais a dizer, nenhum truque nas mangas
todas as cartas foram expostas
se houve blefe, não sei...

- fez parte do jogo



Lúcia Gönczy


nascendo ou morrendo
ele existe
este céu de algodão e fogo
incendiando o horizonte
que é nosso




Lúcia Gönczy


Sístole


por onde ver o sol
se aparei arestas
lacrei as frestas
deixei de viver...

por onde ser lua
lutar por este amor
itinerário como
toda viagem
que prossegue
sem saber
pra onde nem
se vai voltar...

que conversa é essa
pra boi dormir
quando tenho um músculo
involuntariamente
pulsando louco
dentro de mim?

(...)


Lúcia Gönczy




se não te procuro mais
é porque respeito o muro que voce ergueu entre nós
muitas vezes tenho vontade de pular esse muro;
pagar pra ver o que encontro do outro lado...
mas não me atrevo; sinto-me persona non grata
então recuo simplesmente como quem ainda não perdeu tudo
e permaneço com restos de uma certa dignidade
assim sobrevivo por instinto;
e o que não faço é por medo


Lúcia Gönczy


desde o cinza vejo teu semblante nas notícias
minha música toca agora
estou fora de mim e de ti
somente os olhares das gaivotas
quem sabe o que acontece nos mangues
e seus pequeninos caranguejos...
há flores por todos os lados
elas chamam teu nome
e onde perecem as saudades?
não sei ...
talvez aqui dentro

Lúcia Gönczy



íntima implosão dos sentidos
a face oculta desvenda-se; eclode
quando em sono fecho os olhos
e em sonho eu te toco
é o sentir real
cheiro gosto pele pelos
acordar com o aroma
e ter o corpo impregnado
da essência


Lúcia Gönczy



sofro o teu silêncio
aceito tuas costas no meu peito
tomo parte, brinco disso
depois faço a mágica do sumiço
caio no poço da saudade
o que me transformou em pedra
o que me empedrou as lágrimas
o que ressuscitou meu abismo
e vôo sem asas
e me atiro de cara
nenhuma dor, nenhum sangue
só um pouco de mágoa
que curo com outras cicatrizes...


Lúcia Gönczy


poesia


poesia é tocar
o céu da boca
com a língua
possuir a alma
sem abraçar o corpo
beijar com os olhos
a cada encontro
clandestino

poesia é fomentar desejos
fazer fumaça
pegar fogo
virar cinzas

ultrapassar a linha tênue
existente
entre os tempos
de chegadas
e partidas

poesia é ser o ser
do teu ser
mesmo separados
até ficar de vez
entranhada
em tuas vísceras



Lúcia Gönczy


~*

nossos mortos não vestem luto
perambulam pelas ruas
dormem sob viadutos
comem ratos
bebem água de esgoto

nossos mortos não vestem luto
possuem o olhar parado
andam em círculos
não tem família nem amigos
são seres excretados
como as fezes que os vestem

nossos mortos não vestem luto
sobrevivem porque a vida é forte
e embora isso não te diga nada, saiba:

nossos mortos não vestem luto
nossa consciência é depravada
nessa ausência de sentidos
somos nós, alienados...

nossos mortos não vestem luto
nossos mortos estão VIVOS!

Lúcia Gönczy



...

4 comentários:

lucia disse...

Ana,

Obrigada pelo carinho; sinto-me lisonjeada. Sou-lhe grata.

Beijos Poéticos

Lúcia Gönczy

Solange Malosto disse...

" A MISSÃO DA ARTE É ENRIQUECER A VIDA E ENOBRECER O SENTIMENTO HUMANO"
ANA *LINDÍSSIMO O BLOG
SUA AMIGA E PARCEIRA
Solange Malosto

Solange Malosto disse...

HOMENAGEM A AMIGA E PARCEIRA*ANA FELIX GARJAN
*** MENSAGEIRA DA PAZ***
( Homenagem a amiga e parceira *Ana Garjan*França***)

Lineamentos num semblante pláscido e airoso,
natureza insólita, porém insígne no conquistar...
Persistes na conquista do corpo celeste esférico,
Silente mas atento, num plebiscito, no não eclipsar...

O que trazes no peito bela mensageira?
Luminares radiosos, cuja auréola nos atrai...
Notório, que é algo referente à Mãe Natureza,
em riste, nobre presença, símbolo aurífero de Paz...

Teu fascínio é o verde jade do Planeta...
A ausência de lutas igualmente, do povo brasileiro...
Mesmo não tendo o sangue brasiliense nas veias,
aqui também queres içar tua bandeira...

Elevar, deslumbrar a humanidade inteira,
concretizando sonhos num Manifesto verde de Paz...
Tua ascendência Francesa não inibe teus anseios,
Revivificas tua, vidas de outrem,no azul verde jade de PAZ...

( AUTORA Solange Malosto/public.Poesia&Poetas/
Cultura Revista/P.R.O.C.E.S.S.O/

Solange Malosto disse...

Homenagem ***Ana Felix Garjan***
CIDADE CULTURAL Artes, Cultura,Ecol Humana
PLANET, França
ART/ FORUM/ MUNDI

Aninhada sobre as asas do vento,
o êxtase tomando conta de te,
grande sensação a tua,
perfeita sintonia, nostálgico sentir...
Brilhas qual lindíssima luz da lua,
filtrando pela abertura da janela,
envolvida em teu mistério,
ocupa e integra todo o teu ser...
A singeleza do matiz azul - verde jade,
o fascínio brilhante da Mãe Natureza
te envolve, penetra e possui...
O eco encontrado em te,
entrelaça com a paz profunda,
no belo do Planeta...
Tua é a insatisfação,
pela mórbida pequenhez,
do limite humano, de outrem...
O nostálgico sentir...
( Autora Solange Malosto/ Poesia & Poetas
INSPIRAÇÃO

Deslumbra-nos em encantamentos,
encanta-nos pela essência...
Que perpetue, que concretize,
o sonho que acalenta...
Bate asas, entra céu adentro...
Mergulha de cabeça,
na estratégia do momento...
Sonhos, esperança, decisão...
Magia do cósmico, sede do eterno,
uma alma em decisão...
Uma águia que passa,
num ideal a buscar...
Um grande homem...
Que a história vem registrar...
Um dia envolto em véus,
lírios ou botões,
como fonte inesgotável de água,
em cristais irá...
Enquanto isso, deslumbra-nos...
a cada manifestação que faz...


(Poema da autora Solange Malosto/

Mirabilis

Mirabilis
Artforum Brasil XXI

Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector"

Planeta, maio de 2008 -Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector" - "Um espaço não vazio"....

A Academia de Artes e Poéticas "Clarice Lispector", é especial homenagem à escritora Clarice Lispector, nascida em 1920 e falecida em 1977. A literatura brasileira começou a viver uma revolução chamada Clarice Lispector, em sua época. Uma revolução que começou com o seu romance "Perto do Coração Selvagem", e que até hoje respira a alma de Clarice, que por sua vez inspira milhares de pessoas.

Estamos a exatos 12 anos do centenário de nascimento de Clarice e sua poética literária, que continua considerada como única em seu tempo (começo do século XX, quando com apenas 20 anos já manifestava suas posições e militância intelectual a favor da liberdade, dos direitos humanos, e contra a sociedade machista da época.

A obra literária de Clarice Lispector continua inspirando os estudos e teses sobre a alma humana, pois ela escrevia o que sentia, numa literatura existencial, numa prosa poética e urbana cheia de sentimentos intensos.

Clarice nasceu em plena fuga, na Ucrânia. Seus pais eram judeus e fugiam da perseguição religiosa da Rússia. Ela chegou com seus pais ao Brasil aos dois anos. Naturalizou-se brasileira e, com sua inquietude e angústia, transformou a literatura nacional para sempre.

Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector

Academia de Artes e Poéticas Clarice Lispector
Este espaço é a Primeira Academia Virtual em homenagem à pensadora, escritora e poeta que muito contribuiu com a história da literatura brasileira. Este espaço foi iniciado em maio de 2008, para homenagear a memória da escritora Clarice Lispector, bem como de outros autores e metres da literatura brasileira e internacional.

Este espaço cultural, poético e literário foi aberto em maio de 2008, como proposta apresentada no Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz do Planeta.

Brasil, maio de 2008
Grupos ArtForum Brasil XXI
Projeto Universidade Planetária do Futuro
*

Fórum Internacional de Mulheres do Futuro pela Paz.

*

"Vamos Salvar A terra"
Vídeo by Ana Garjan & Luuh Designer

http://br.youtube.com/watch?v=lxAAWGKJpFU